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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TAIS LUSO DE CARVALHO - OUTRAS VIDAS



Tenho pra mim que o mais importante do que a morte em si, a falência dos órgãos, é o medo que ela provoca por ser desconhecida. O que haverá depois? Enquanto uns acham que é uma transição para uma outra vida, outros, como eu, não acham nada. Não sou tão evoluída espiritualmente, não cheguei ao estágio de achar coisa alguma. E, portanto, não vou chutar. Sou média, em espiritualidade.

Até gostaria de ter a expectativa de que a coisa fosse infinita, que fomos feitos para a eternidade. Já imaginaram que beleza? Que caiam os céus, que exploda a terra, a vida em mim continuaria, pulando os séculos.

Dias atrás recebi um desses e-mails que rolam pela Internet, revelando, mediante um teste, o que fomos em vidas passadas. Nunca vi tanta gente na pele de Cleópatra, Napoleão, monges, reis e rainhas. E fiz o tal teste - curiosidade de mulher.

Fiquei me imaginando ter sido a deslumbrante Cleópatra, mas com a cara da Elizabeth Taylor! Não consigo imaginar uma Cleópatra com outro rosto.

E fui avançando no teste, acreditando em algo que eu julgava merecer, afinal sou uma pessoa legal, de boa índole, responsável, boa mãe... E cheguei à resposta, tchantchantchan... Fui COVEIRO! Putz, me imaginei cavando, cavando...

E diante de toda esta frustração me lembrei de um episódio que presenciei, há alguns anos, num cemitério, quando pediram que alguém da família acompanhasse o coveiro para o translado do defuntinho, do caixão para uma urna menor. Questão de espaço para entrar o outro defunto da família.

Ninguém se ofereceu para acompanhar o servicinho. Mas só poderia acontecer isso na presença de um familiar. E lá foi o escolhido, com o peito estufado e cheio de coragem acompanhar a árdua tarefa. Lembro-me de ter avistado o cara sentado, na escadaria do cemitério, branco que nem cera, com sua pressão nas nuvens, e sendo atendido por um médico.

Na sua narrativa, o coitado contou que nunca imaginaria ver o ser humano de uma maneira tão chocante, desintegrado pela natureza: uma caveira, com seus cabelos crescidos e caídos, e com unhas ainda ao lado dos ossos, compridas. Não diria que fosse o quadro da dor, mas o quadro da morte. O coveiro pegou os ossos e arrumou na pequena urna. Tudo bonitinho.

Então pensei o que teria eu feito para ter sido coveiro? Para ter visto centenas de vezes o meu próprio futuro?

Mas, esquecendo desta minha atividade solitária e apavorante, acredito que tudo é mistério. Ainda espero por um pensamento mais científico, mais elucidativo, talvez, e que um dia o ser humano seja capaz de explicar tudo. Mas, infelizmente, nunca saberei da verdade.


É melhor deixar assim.


Tais Luso


1 COMENTE AQUI:

Tais Luso disse...

Um beijo e meu carinho. Só tenho a lhe agradecer...

tais luso

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