CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

Pages

ADIEMUS FELIZ

AMIGOS ADIEMUS

Nº DE ACESSOS

MINHA FLOR PREFERIDA

MINHA FLOR PREFERIDA

domingo, 23 de outubro de 2011

O SONHO DO CANDANGOTODOSNÓS

Fotomontagem (Mara Bombo)


De repente, a insolência do passado
violenta a pátina
do concreto adormecido

Os escombros (cúmplices) vertem
atrevidos
rabiscos esquecidos (...mais que isso)
frases avulsas de passar o tempo
(...muito mais que isso)

Mais que arroubo lírico
de candango
cansado, suarento,
mal remunerado, talvez,
( era preciso, afinal, sobejar
ao bornal das empreiteiras...)

Mais que simples recado
na agenda qualquer
das horas vagas

Mais que delírio da mente
desbotada na secura
do ar e do sol
Inclemências planando
sobre a cabeça candanga

Mais que tudo
muito mais
uma prece, um desejo talvez
talvez mesmo a esperança
quem sabe agora (...finalmente?)
o parto do sonho brasileiro
(nem importava mais que a gestação da cidade
sangrasse instituições sagradas)
*

Ergue-se o pano!

Agora, ali
o ventre aberto do concreto
o recado/prece do candangotodosnós
(Ironia ferina percutindo
a secura dos ares)

Justo ali
os mesmos ares
a mesma secura do sol e do ar
a utopia nascendo possível

Grandes homens
homens Grandes
envolvidos todos
extenuados todos
(era sublime desenhar os contornos
de uma grande República)
Tarefa de gigantes

(homens Grandes
Grandes homens)
da secura dos mesmos ares
dos engodos da história...tantos
a alvorada nova para um povo
a alegria da esperança
o resgate da crença
(era divino, até, e tentador
sonhar uma República de Verdade)

Grandes homens
homens Grandes
estafados de sedimentarem
alicerces perenes
a justiça para todos
a lei para todos
sobre todos
sobre tudo
igualdade

(a gravidez da Mãe-Pátria clamava
pela Verdade da República)

homens Grandes
Grandes homens
do amanhã
(oxalá estadistas)
frontes porejando luzes:
-(brio-verdade-honra)-
o ideal de patriamada
conduzindo o passo

A utopia ...ainda possível
( por estrela-guia - uma República
para a posteridade – uma Nação)

**

Cai o pano
a pátina aberta em chaga
as entranhas do concreto
nuas
a nudez da história
o engodo da história
uma vez mais
madrasta

O sonho/prece
inerme
asfixiado
estiolado

(a secura do ar
e do sol...talvez ?)

A clausura no concreto
longa demais...
a mudez do concreto

longa demais...
a arquitetura do cinismo... sólida demais
a sanha lesa-pátria...escancarada demais
a utopia...nunca mais

O recado/prece agoniza
Restos de velada elegia
amortalhados
na secura do ar e do sol

O horizonte cinzento
desenha um epitáfio:
“O sonho do candangotodosnós
...natimorto”

(em meio à caminhada...
era preciso a compaixão nos homens)



***

Autor : João Baptista de Souza Negreiros Athayde


4 COMENTE AQUI:

Ivana disse...

Mara,
Já tinha visto esse poema do Athayde no CLIP. Que bom você publicá-lo aqui. Vale sempre a pena ser lido. Um abraço pra você e também para o Athayde. Uma ótima tarde.

Sotnas disse...

Olá Mara, desejo que tudo permaneça bem contigo!

Quisera os responsáveis pela realização do sonho deste clamor ficasse ao menos sensibilizados em ler tal, e assim talvez esta pátria mãe visse os filhos que choram!

Belo poema Mara, mas por cá tem sido sempre assim, sempre postando os melhores, parabéns por compartilhar com os amigos tão belos escritos e parabenizo também o poeta Athayde pela construção deste belo escrito em versos!

E assim desejo a vocês e todos ao redor um intenso e feliz viver, grande abraço e até mais!

Denise disse...

Passei pra matar a saudade...
Bjos

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida
Sim... a compaixão: com paixão... intensa pelo que fazemos e o seu poema ficou lindo por isso...
Bjm de paz

ÍNDICE DOS PENSAMENTOS

ÍNDICE DOS PROVÉRBIOS

ARQUIVO

NOSSO 1º PRÊMIO - SELO RECEBIDO DA VEJA BLOG OS MELHORES BLOGS DO BRASIL